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Corona Vírus

Corona Vírus

INFORMATIVO AOS PACIENTES, CUIDADORES E FAMILIARES SOBRE O CORONAVÍRUS   O vírus   O Coronavírus é um RNA vírus que causa doença em animais e humanos. O nome Coronavírus origina-se do termo latino corona que significa coroa e refere-se à forma do vírus quando observado no microscópio eletrônico. Os principais animais afetados por este vírus são morcegos, dromedários, porcos, gatos, ratos, cães e aves. Existem quatro subtipos de coronavírus, alfa coronavírus, beta coronavírus, gama coronavírus e delta coronavírus. Há subtipos que tem maior preferência por animais e outros mais por humanos. Sete espécies de Coronavírus causam doenças em humanos, quatro delas causam resfriado comum em pessoas com imunidade normal (229E, OC43, NL63 e HKU1) e três delas causam a síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV, MERS-CoV e 2019-nCoV.). A epidemia atual que começou na China em 2019 é causada pelo beta coronavírus denominado 2019-nCoV. Este subtipo de vírus tem semelhança morfológica e genética com o Coronavírus que causa doença em morcegos e outros animais. O vírus se replica no epitélio ciliar das vias aéreas e a principal forma de transmissão acontece por meio das gotículas provenientes das vias aéreas dos animais e humanos.   A história do Coronavírus   O vírus foi identificado em 1965 como causador de um tipo de resfriado comum (“gripe comum”). Até o começo dos anos 2000 não se ouvia falar sobre qualquer problema mais grave causado pelo Coronavírus. Em 2002-2003 ocorreu a primeira epidemia na província de Guandong na China e que posteriormente atingiu a Tailândia, Vietnan, Taiwan, Hong Kong Singapura e EUA. Nesta primeira epidemia foram 8096 casos com 774 mortes. Em 2012 na cidade de Jeddah na Arábia Saudita teve início outra epidemia que se espalhou por todo oriente médio, principalmente nos países do Golfo Pérsico (Catar, Emirados Árabes, Oman, Irã, Barein, Kwait e Iraque) assim como Jordânia, Síria, Palestina, Líbano e Egito. Estes países foram considerados de alto risco para transmissão do Coronavírus pelo Centro Europeu de prevenção e controle de doenças. No início de dezembro de 2019 na cidade de Whuan capital da província de Hubei na região central da China foram registrados os primeiros casos da síndrome respiratória aguda grave causada pelo Coronavírus que circula atualmente no mundo. Os primeiros casos foram registrados em pessoas que tiveram contato com animais vivos em um mercado que comercializava frutos do mar e animais na cidade de Whuan. O beta Coronavírus identificado em Whuan foi chamado de 2019-nCoV. Depois disto o 2019-nCoV se espalhou pelo mundo todo, principalmente no Oriente Médio, Ásia, Europa e EUA. Mais de 80 mil casos foram detectados na China desde o início da epidemia.   A doença causada pelo Coronavírus e o tratamento.   A doença causada pelo Coronavírus de 2019 é denominada Covid19 (vem do termo em inglês: Coronavirus disease 2019). O período de incubação do vírus é de 2 a 14 dias após o contato. O período de incubação médio entre os pacientes chineses foi 4 dias e 97% dos casos tiveram os sintomas até o décimo segundo dia após o contato. Na China, a principal maneira de transmissão da Covid19 foi o contato entre humanos sadios e humanos infectados pela doença (77% dos casos). Houve uma mínima percentagem de contato de humanos sadios com animais infectados (2% dos casos) e entre trabalhadores da área de saúde com pacientes infectados (3,5% dos casos). A doença é variável na intensidade dos sintomas, depende da idade e das doenças pré-existentes em cada paciente. Os sintomas mais leves são febre, coriza, congestão nasal, dor de garganta e perda do apetite. Os sintomas mais graves ocorrem depois de 2 a 5 dias do início dos sintomas leves e são dores no corpo, calafrio, dor cabeça, falta de ar, tosse e até a síndrome respiratória aguda grave (falta de ar grave com incapacidade para manter a oxigenação normal do sangue e que requer internamento em UTI). Além dos sintomas respiratórios pode haver diarreia, vômitos e até insuficiência renal aguda causada pelo vírus. Na China 15,7% dos pacientes tiveram a forma mais grave da doença (síndrome respiratória aguda) e a taxa de mortalidade foi de 2% de todos os casos. A taxa de mortalidade entre os idosos chineses com Covid19 acima de 70 anos foi de até 15%. Hoje não há tratamento eficaz contra o vírus, o que há disponível é o tratamento de suporte para aliviar os sintomas da doença. Para os casos leves são usados os antitérmicos, analgésicos, descongestionantes nasais e repouso. O uso de antivirais está em fase de testes e tem objetivo de tentar reduzir o agravamento da doença, os principais são oseltamivir, ribavirina, ganciclovir, lopinavir, ritonavir e remdesivir. Para os casos mais graves existe o tratamento hospitalar e o tratamento em unidade de terapia intensiva (UTI). Os casos mais graves geralmente ocorrem em pessoas com mais de 60 anos e que tenham alguma doença pré-existente como diabetes, doença cardíaca, hipertensão e sequela de acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, adultos que tenham diminuição da imunidade como pessoas com câncer, HIV e pessoas que usam medicamentos imunossupressores também são mais vulneráveis à Covid19.   Como evitar a transmissão e propagação da Covid19   O principal modo de transmissão do vírus é entre pessoas (80% dos casos), a transmissão de animais para seres humanos é muito pequena (2% dos casos). O principal meio de transmissão do vírus é por gotículas provenientes das vias aéreas que são exaladas meio de por tosse, espirro e escarro. Pela tosse e espirro as gotículas contendo o vírus podem atingir até 2 metros de distância. As principais medidas preventivas são lavagem rotineira das mãos principalmente depois de tocar qualquer superfície de locais públicos, ao tossir ou espirrar deve-se cobrir a boca e o nariz, uso de álcool com graduação de mais de 60% para higienização, evitar locais com aglomeração de pessoas, evitar qualquer contato com pessoas infectadas, fazer a limpeza e desinfecção de superfícies que tiveram contato com o vírus. Em regiões com maior numero de casos de Covid19 o distanciamento social é a medida mais eficaz. Um modelo matemático baseado na análise de progressão do número de casos de Covid19 mostrou que ocorre duplicação do número de casos a cada três dias em cidades com maior número de pessoas infectadas. Nestas cidades deve-se evitar o contato físico entre pessoas, evitar aglomeração de pessoas e diminuir a mobilidade (distanciamento social). O uso rotineiro de máscaras não é recomendado para pessoas sem os sintomas da doença que não estiverem em contato com pessoas infectadas.   Recomendações para os pacientes com Doenças Neurológicas   Inicialmente farei as recomendações para os pacientes idosos, depois para os pacientes que usam medicações imunossupressoras e finalmente para os pacientes que apresentam alguma deficiência motora e para os pacientes com Neoplasias Cerebrais (tumores cerebrais). Para os demais pacientes neurológicos os cuidados são os mesmos já descritos neste informativo. Os idosos com mais de 65 anos são o grupo de pacientes de maior risco, principalmente se tiverem outras doenças como diabetes, câncer, hipertensão e cardiopatia. Além disto, para pacientes que tenham as doenças neurológicas relacionadas à idade como a Doença de Parkinson e as Demências deve haver um cuidado maior quanto à prevenção. Para os pacientes com doenças neurológicas autoimunes tais como Esclerose Múltipla, Miastenia Gravis, Polineuropatias inflamatórias, Miopatias inflamatórias, Neuromielite óptica, Encefalites autoimunes e outras que usam medicações imunossuperssoras como Azatioprina, Ciclofosfamida, Metotrexato, Micofenolato, Rituximab, Fingolimode, Prednisona e Dexametasona os cuidados devem ser mais intensos em relação ao distanciamento social, evitar aglomerações de pessoas e permanecerem mais em suas casas. Para os pacientes com Esclerose Múltipla que utilizam betainterferona, acetato de glatiramer, teriflunomida, fumarato de dimetila e Natalizumab os cuidados devem ser semelhantes aos cuidados gerais. Para os pacientes que apresentam alguma deficiência motora que cause fraqueza muscular, dificuldade de locomoção, fraqueza nos músculos respiratórios e para os pacientes acamados os cuidados preventivos também devem ser mais intensos, pois este grupo de pacientes tem maior risco de desenvolver a síndrome respiratória aguda. Para os pacientes com tumores cerebrais como Glioblastoma multiforme, Astrocitomas e outras neoplasias que estiverem em quimioterapia, radioterapia, em uso de dexametasona ou passaram por cirurgia recente deve haver também maior cuidado.   Considerações finais   Minha opinião é que estamos diante de uma doença infecciosa de moderada gravidade com uma taxa de mortalidade geral entre 4 e 7%. Devemos ter os cuidados preventivos já descritos neste informativo. Por outro lado não devemos entrar em pânico com a existência da doença, pois a humanidade já passou por epidemias muito piores que esta. Cada um deve cumprir seu papel de acordo com o local onde mora, a idade e responsabilidade de fazer o isolamento quando tiver o diagnóstico confirmado da doença. Acredito que a responsabilidade individual tem a maior importância na prevenção e na disseminação da doença. Nos últimos dias foram publicadas duas importantes informações que trarão esperança contra a Covid19. A primeira delas é o fato de já haverem aproximadamente vinte vacinas em testes e que algumas devem ser testadas em humanos podem estar disponíveis para uso da população nos próximos 90 dias. A segunda informação recente de extrema relevância foi publicada esta semana na revista Science, por pesquisadores chineses, trata-se de um estudo epidemiológico relacionado à verdadeira prevalência da doença, o estudo revela que 86% dos casos de Coronavírus na China não foram contados, pelo fato de serem sintomas mais leves e que não levavam as pessoas a procurar o médico e portanto não foram testadas com exames para diagnosticar o vírus. Em virtude dos resultados desta pesquisa os pesquisadores acreditam que o número de infectados com a doença seria muito maior do que se pensa e por isso o vírus de espalhou rapidamente pela China e pelo mundo. Além disso, pode-se deduzir que a taxa de mortalidade seria menor do que se pensa hoje.     Maringá, 17 de março de 2020.       Eduardo Rafael Pereira Neurologista CRM-PR 18575