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Epilepsia

CRISES EPILÉTICAS E EPILEPSIA

As crises epiléticas são caracterizadas por hiper sincronia (funcionamento excessivo e síncrono) dos neurônios e caracterizam-se por alterações transitórias na consciência, no comportamento e nos movimentos corporais que geralmente duram em torno de 03 a 05 minutos. Epilepsia é uma tendência duradoura a apresentar crises epilépticas repetidas, geralmente duas ou mais vezes. Portanto, uma crise epiléptica é um sintoma neurológico e crises epilépticas repetidas são consideradas doença neurológica que precisa de tratamento.

Uma crise epiléptica isolada pode ser sintoma de doença neurológica subjacente como derrame, hemorragia cerebral, tumor cerebral, meningite, etc… Em alguns casos também pode ser a primeira manifestação da doença Epilepsia.

No Brasil e nos paises em desenvolvimento aproximadamente 1 a 2% das pessoas sofrem de epilepsia. Esta doença traz estigmas e sofrimento para a pessoa com epilepsia e sua família. Os neurologistas brasileiros interessados no tratamento das epilepsias compõem a Liga Brasileira de Epilepsia.

Esta instituição, junto com a Organização Mundial de Saúde, desenvolveram uma campanha para tentar acabar com os estigmas da epilepsia chamada “Saindo das Sombras”.

O termo Epilepsia engloba tipos diferentes de doenças e também causas diversas. Por esse motivo cada pessoa deve ter um correto diagnóstico para o seu tipo específico de epilepsia. Os neurologistas de todo mundo usam a Classificação da Liga Internacional contra Epilepsia para saber qual tipo específico de epilepsia que cada pessoa apresenta para então realizar tratamento adequado.

AS EPILEPSIAS SÃO DIVIDIDAS EM 02 (DOIS) PRINCIPAIS GRUPOS EM RELAÇÃO ÀS CAUSAS

As Epilepsias Primárias são atribuídas principalmente aos distúrbios da neurofisiologia cerebral, bioquímica cerebral e às alterações genéticas. Temos como exemplo a Epilepsia de Ausência da infância e a Epilepsia Mioclônica Juvenil.

As Epilepsias Secundárias são relacionadas a lesões nas células nervosas (neurônios): infecções (meningites), traumatismo craniano, tumores cerebrais, derrames cerebrais, doenças genéticas, etc… .

A Epilepsia é uma doença que pode se manifestar em todas as faixas etárias, sendo mais comum nas crianças abaixo de 02 anos e nos idosos. No Brasil e nos países em desenvolvimento uma das principais causas de Epilepsia consiste na infestação do cérebro pela larva do parasita Taenia solium, doença conhecida como Neurocisticercose. Esta doença é adquirida através da ingestão dos ovos da Taenia solium (chamados de ovos de solitária) geralmente presentes na água e alimentos mal lavados.

O correto diagnóstico das epilepsias é feito após o médico tomar a história clínica da pessoa, o exame físico, realizar os exames de imagem (tomografia e ressonância magnética) e eletrencefalograma em vigília e sono. O tratamento somente deve ser realizado após consulta médica e identificação do tipo específico epilepsia. O médico sempre se deve excluir causa secundária de epilepsia tais como tumores cerebrais, meningite, derrames e outras causas que trazem risco de vida. O tratamento para cada tipo específico de epilepsia é diferente e engloba não somente os medicamentos, mas, em alguns casos também a cirurgia de epilepsia. O dever ser feito quando alguém tem uma convulsão?

Deve-se manter a cabeça protegida com algum material macio. Deve-se tentar deixar esta pessoa deitada de lado, para evitar que haja aspiração de vômitos caso isto ocorra durante a crise e para manter a respiração livre. Não colocar a mão dentro da boca da pessoa que esta tendo a crises pois existem riscos de haver lesões nos dedos e na mão. Lembrar que a força dos músculos da mastigação é semelhante a dos músculos da coxa. Existe um período após a crise em que a pessoa fica confusa e desorientada, devemos manter a calma e aguardar isto passar. Em pessoas que já fazem tratamento médico da doença só devemos levá-la ao hospital se houverem 02 crises repetidas sem recuperação total da consciência ou se a crise durar 05 minutos ou mais.

Existem disponíveis no mercado farmacêutico mais de 30 medicamentos para o tratamento das epilepsias. Cada um tem uma precisa indicação. Atualmente existem duas principais classes de medicamentos, as medicações antigas e as novas medicações antiepilépticas. Uma das principais vantagens das novas medicações consiste no menor risco de intolerância e efeitos adversos para quem as utiliza. Outra questão importante é a utilização das doses corretas e do número correto de tomadas diárias para cada remédio diferente. Os efeitos colaterais dos medicamentos antiepilépticos são variáveis em freqüência e intensidade. Os mais comuns são: tontura, náuseas, vômitos, sonolência, desequilíbrio, dificuldades de concentração, alterações comportamentais, dor abdominal. Os mais sérios são alergias na pele, anemia, alterações hormonais, alterações menstruais e hepatite medicamentosa.

Para mulheres que usam medicações contra epilepsia e desejam ter filhos devem ser feitas algumas observações. Existem riscos para os bebês de mães que usam medicações antiepilépticas e isto deve ser discutido com seu médico. Mais importante que isso é o controle das crises epilépticas da mãe que tem a doença e vai passar por uma gestação. Existem graves riscos para o bebê se a mãe apresentar uma convulsão durante a gestação. Em relação à amamentação também deve ser discutido com o médico para ser feita a melhor escolha da medicação usada pela mãe que amamenta. Lembrar que uma prática muito comum é a imediata suspensão do uso de medicamentos por mulheres que tem epilepsia após saber da gravidez. Isto pode causar grandes riscos à mãe e à criança que está sendo gerada. Portanto deve-se planejar com seu médico antes da gestação ter início.

Um dos tipos mais comuns de epilepsias dos adultos consiste na Epilepsia do Lobo Temporal. Trata-se de uma epilepsia que causa crises epiléticas com manifestações comportamentais e motoras. Geralmente a pessoa perde o contato com o meio, mantém os olhos abertos, não responde ao chamado, realiza movimentos mastigatórios, movimentos com as mãos e após a crise não se recorda do que ocorreu e pode apresentar dor de cabeça, vômitos e sonolência. Isto dura de 03 a 05 minutos e pode ocorrer em freqüência muito variável. Outros problemas comuns nas pessoas com epilepsia do lobo temporal são alterações na memória, concentração e no aprendizado. Podem ocorrer desde discretas dificuldades de memorizar palavras, textos, figuras e rostos de pessoas até dificuldades mais intensas que levam estas pessoas a procurar o médico.

As pessoas com epilepsia apresentam maiores chances de apresentar doenças emocionais com depressão e ansiedade e outras doenças psiquiátricas. O tratamento destas doenças associadas à epilepsia também deve ser realizado para melhorar a qualidade de vida de que apresenta epilepsia.

Um dos maiores desejos das pessoas com epilepsia é poder dirigir um automóvel ou motocicleta. Isto só pode ser realizado com consentimento do médico e após 06 meses que a pessoa estiver livre de crises. O departamento de trânsito (DETRAN) tem regras e leis específicas para condutores de veículos com epilepsia.

Na maioria das vezes não existem restrições quanto à alimentação das pessoas com epilepsia e nem tampouco restrições quanto à prática de atividade física, mas isto deve ser conversado com o médico para saber o que realmente pode ser feito com segurança.

Aproximadamente 70% das pessoas com epilepsia irão ficar livres de crises epilépticas com os medicamentos. Desde que sejam usados em doses adequadas e o número correto de tomadas diárias. Os outros 30% irão permanecer tendo crises epiléticas mesmo usando de maneira correta os medicamentos. Para estas pessoas que não melhoram com medicamentos existe a possibilidade tratamento da epilepsia por cirurgia.

A cirurgia de epilepsia é realizada no Brasil há vários anos e trata-se de procedimento seguro e eficaz para o controle das crises desde que seja bem indicada. Em alguns tipos específicos de epilepsia apresenta 60% de chances de tornar a pessoa livre de crises epilépticas. A cirurgia de epilepsia não tem objetivo de substituir os medicamentos no tratamento desta doença. Ela visa controlar as crises epilépticas e as pessoas submetidas à cirurgia de epilepsia geralmente continuam usando medicação antiepiléptica.